Na 4ªF fui receber a minha Menção Honrosa (4º lugar) pelo poema " A TI". Este prémio esteve integrado nos Vº Jogos Florais de Tondela e a cerimónia decorreu no Centro de Exposições. Para além de receber o prémio, tive de o ler em público. Confesso que a minha voz tremeu de vez em quando, pois o poema em si me diz muito.
No final, tive oportunidade de cumprimentar um grande homem, O Presidente da Câmara, Dr. Carlos Marta, pessoa que conheço desde há 13 anos, quando iniciei a munha vida profissional na Escola Profissional de Tondela. Admiro esta figura pela sua integridade e palavras francas. Após me cumprimentar, ele observou o facto de não saber desta minha veia poética. "pois é, não é só informática" respondi em tom de bricadeira.
Mas aqui volta o poema reinventado:
A TI...
Com a imagem traçada
Percorreste maus caminhos
De palavras marcadas
De mentirosos carinhos
Deixaste que se pensasse
Que poderia existir sentimento
O que se pretendia, afinal
Era puro envolvimento.
Deste passado nada guardo
Pois nada há a resolver
De contas liquidadas
Sem um saldo sequer
Nesta mentira irreal,
Ainda muito por dizer
Verdades permanecem
Somente um virar de costas
E olhares...
Existirão ainda palavras
Que serão ditas mas não ouvidas
Interpretações à parte
Nem de neve ou distâncias
Nem de branco ou sorrisos
Porque todos os sorrisos são vistos
Corações Não
E o Teu é gélido, frio e calculista
Não mede conhecimentos nem razões
Somente procura interdições
Como um animal faminto
Por entre desconhecidos e conhecidos
Procura a presa fácil
E por fim se alimenta
Querendo saciar fomes surgidas
Por entre rostos, observa as imaculadas
Rostos já conhecidos mas agora distantes
Como na branca neve, limpa cada rasto e cada rosto
Numa névoa de razões somente vividas
Não tarda ainda
Nestes caminhos infiéis
Um frio no calor obtido
E é das respostas não respondidas
E dos sons não ouvidos
Que quase encontro o que quero jamais ser
Um vulto com frio
Porque do calor não consegue
Aquecer a memória.
Esta, fogueira mansa mas manhosa
Ainda queima, mas quase pouco,
Ainda lateja aos soluços
Suas réstias de vontade
Um dia, haverá uma explicação que não vou querer...
Porque em TI só mentira circula.
Hoje, Nada.