Diz-se que tudo na vida tem fim. Verdade mesmo! Consigo sentir cada vez mais o quanto é difícil retornar. O retorno à labuta diária. Aproxima-se a "rentré" escolar e aproxima-se também a verdadeira preguiça e vontade de férias. Acontece sempre. Sempre que se aproxima o fim de férias é quando eu estou mesmo com vontade de as desfrutar. Acredito agora no que chamam de stress de férias. Eu tenho-o sempre que entro de férias e saio de férias. No primeiro, devido ao facto que me custa imenso perder a "pica" do trabalho ao qual já me habituei e que faz parte da minha forma de ser. No 2º caso porque também sou "filha dEle", não??
Voltei da terra materna. Voltar aos ritmos acentuados e lentos, aos cheiros característicos das aldeias (apesar de achar que cada vez mais estes são perdidos), ao "Bom dia", "Boa Tarde" e "Boa Noite" obrigatórios e às pessoas acompanhadas das novidades que "sabemos"sobre elas.
Ano após ano revivo a minha adolescência. Revivo os meus 15 anos, cheiros, gestos, conversas e olhares. Revivo simplesmente.
Ano após ano revejo as pessoas que já me foram muito chegadas. Hoje, raras são aquelas que mantém o diálogo. Achei piada que, durante uma dessas conversações com uma conhecida do "cântarro" (sim porque durante a adolescência era obrigatória a ida à fonte do villarejo para carregar a água diária), aparece uma segunda que, ou não me reconheceu ou fez de conta. Mantive a minha, despedindo-me discretamente da primeira. Relembramos as alcunhas assim como falamos sobre os filhos de não sabemos já de quem, de quem veio à aldeia e de quem não estava. Gostei da conversa, realmente.
Também tive a oportunidade de me surpreender, mais uma vez, com a atitude de uma pessoa, deixando-me também mais uma vez muito confusa e perplexa com tal atitude. Deveria haver muito mais franqueza. Porque temos de deixar sempre pontas soltas em determinados assuntos e continuamos a deixar intermináveis reticências ao invés de pontos finais??
A mente humana surpreende quer queiramos quer não...