segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sem tempo


Dou por mim a ouvir o tempo gritando pela sua falta de tempo.
Dou por mim querendo falar mas nada é pronunciado. Mesmo depois de mil a muitas vezes ter-me feito prometer que não tinha direito ao gesto, pego nesse maldito objecto que nos liga e desliga do mundo e escrevo: "...Estava no carro e ouvi essa música. ... Não pude deixar de...". Não esperava resposta. A resposta já a conheço e começo a aceitar. Por vezes temos de fazer cumprir o que chamamos de destino para que lembranças sejam libertadas. Precisamos viver lembranças, mesmo que essas pertençam ao passado. Mesmo que não seja O tempo. Muitas vezes o tempo nos castiga. Castiga-nos com o que não nos deixou viver. Realmente somos muito esquisitos. Não queremos quando queremos, não falamos quando deviamos, deixamos passar quando não deveriamos, perdemos quandos não merecemos. Constantemente, não existe um dia, em que este pensamente não me avassala. "porquê?". Porque não deixei o tempo passar. Este tempo que não soube travar íntimos.
Mesmo sabendo que não me era permitido, não esqueço e enviei...
Parabenizei a lembrança do que me esqueceu tão facilmente e com contornos que não esqueço...

1 comentário:

Júlia disse...

Passei por aqui! Os teus escritos são muito teus...
compreendo, pelo menos, isso :))

Espero que esteja tudo bem!
(fiquei triste com o que aconteceu com a tua cadelinha... tb tenho animais e sei o que se sofre quando fazem mal aos nossos bichinhos...)