segunda-feira, 6 de outubro de 2008

PERDIDAS NA IMENSIDÃO QUE SÃO AS PALAVRAS PROFERIDAS...

Perdidas na imensidão que são as palavras proferidas, escrevo. Tonta com a tonalidade do sarcásnio, escuto. Só na estrada da vida, relembro a palavra mentirosamente declamada. Declamo também a minha fugaz retraída. No escuro da noite relembro todas, mas todas as palavras e recuso. Na penumbra visualizo com se uma tela se criasse aos meus olhos antes cegos. Repenso e mentalizo cada figura fantasma da minha acção. Mentirosamente contraio o olhar para que a verdadadeira imagem não seja reflectida e não perfure o que de íntimo ainda tenho. No branco que foi o pousa de corpos. No gélido que foram os caminhos, medito. Cada imagem são devolvidas ao meu consciente incinsciente. Este ainda recusa aceitar todas as palavras e gestos meticulosamente calculados. Na forma sinuosa que a equação foi construída, penso na inteligência que não tenho. Persiste a memória. Ainda não foram encontradas as formas de desligar o circuito entre estes dois órgãos necessários à nossa existência. Proclamo estas memórias. Não quero que estraguem o que de bom guardei. O antes. Não quero saber do depois. Do intocável abalado. Não quero as razões deste impasse. Procuro encontrar-me num lado qualquer.

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